sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Diário de bordo IV


Desculpa meu amor. Não quero nem nunca quis ferir-te com o meu sofrimento. Não quero que fiques mal por eu estar mal.
Não posso mentir. Não posso dizer que estou bem, até porque mesmo que o fizesse tu sabes que não é verdade. Não posso dizer que vivo bem e de cabeça erguida, porque não é verdade.
Mas sei que também sofres, por dentro e em silêncio.
Por isso, no texto de hoje não te vou falar de mim.
Vou apenas dizer que te amo muito. Que te agradeço do fundo de coração o enorme sacrifício que estás a fazer por mim e pelos nossos meninos.
Quero que não te apoquentes com o meu sofrimento, encara-o como um mal necessário! Ambos sabemos, no fundo dos nossos corações apertados, que vai valer a pena. Estás bem entregue e bem no trabalho, e eu apesar da minha fraqueza cá me aguento e tomo conta de mim e do bebé.
Não deixei de sofrer, não deixa de doer e a saudade é cada vez maior e difícil de suportar. Mas quero que não fiques aflito com isso. Apenas que te lembres que te amamos muito e que apesar de estarmos do outro lado do oceano, estamos contigo, por ti e para ti. Vamos lutar à nossa maneira e dentro das nossas possibilidades, para que o nosso reencontro seja breve. 
Amo-te muito, coisa boa!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Diário de Bordo III


A noite passada adormeci. E sonhei com aquilo que sonho acordada. Sonhei que me ligavas para eu ir para a tua beira, finalmente. Sonhei com todos os detalhes. Com o tratar dos assuntos pendentes para finalmente poder embracar, o tirar os passaportes, a reserva do bilhete, o embarque, a viagem.... Sonhei que me esperavas com os meus tios no aeroporto e um ramo de flores na mão. Bem sei que nunca me deste flores porque não gostas disso, mas eu gosto, e nos sonhos ninguém manda. Sonhei com o nosso abraço. Apertado, saudoso, sincero. Como se o mundo parecesse parado naquele instante. Senti alívio e sorri. Sei que sorri.
Depois acordei.
Olhei para o lado e a tua almofada estava vazia. Chamei por ti e o silêncio riu-se de mim, trouxe-me de volta à dura realidade. Tu não estás aqui. Nem eu aí.
Senti o chão fugir-me debaixo dos pés novamente. O vazio voltou. As lágrimas caíram sem pedir autorização e o aperto no peito lembrou-me que durante meses a minha existência será assim, vazia, saudosa, solitária...
Quis tornar a adormecer, voltar ao sonho que tanto anseio ver realizado, mas a angústia não deixou. Arrastei-me pelos minutos deixando as lágrimas cairem e com ela a esperança de ter ter comigo novamente nos próximos tempos. 
Dizem que o tempo atenua a dor mas eu a cada dia que passa me sinto mais sem chão. Como que caída num buraco e sem força nem vontade de me levantar.
Que Deus, o Universo ou o Destino façam chegar depressa o dia do nosso reencontro, aí, juntos para uma vida nova. Porque até lá sei que me vou limitar a sobreviver. À tua espera...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Diário de bordo II

São 16h14, hora local, e ainda não consegui chorar. Sinto-me estranha hoje. O vazio continua cá dentro. O frio na barriga é enorme e as pernas ainda tremem no regresso a casa. Instintivamente eu coloco os teus chinelos no último degrau da escadaria, como se tu fosses entrar e precisar deles. Ainda ponho o teu pijama e as tuas almofadas na cama, como se te fosses deitar ao meu lado. Ainda ponho duas toalhas no toalheiro, como se viesses tomar banho comigo.
Sinto-me apática hoje. As vozes soam-me como zumbidos estranhos e inentendiveis. Os passos que dou não parecem levar-me a lado nenhum. Sinto-me alheada de tudo e todos. Despida de tudo e de nada.
Não sei se será uma nova fase da realidade da tua ausência. A minha voz sai trémula e as forças fisicas são poucas... porque as outras são inexistentes.
Até escrever me cansa. 
Fazes-me muita falta. Mais do que alguma vez poderia imaginar.
Esta não sou eu. Sinto-me uma estranha em mim.
Não ouço música porque sei que não vais entrar e refilar por estar muito alta. Não tomo pequeno-almoço porque não estás aqui para o dividir comigo. Não vejo tv porque tu não estás cá para mudar os canais e me tirar do sério.
Definitivamente hoje estou estranha. Não sinto os pés no chão, não tenho frio nem calor, fome nem sede. Estou como que em transe. Refugiei-me noutra dimensão para fugir à dura realidade de não te ter aqui comigo. Refugiei-me no vazio para me esconder do vazio da saudade. Não sei se faz sentido, mas é o que sinto. Mas mesmo escondida eu não deixo de sentir a tua falta... e de te amar como se não houvesse amanhã!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012


No dia da tua partida, limitei-me a unir esforços para não cair... Para não desabar. Hoje, apesar da dor ser ainda maior, olhei para a nossa casa que não te tem com ela e decidi arruma-la, porque sei que se ca estivesses era isso que eu faria. Respirei fundo, sequei as lágrimas que insistem em cair e pus mãos a obra. A muito custo lavei a chávena que tu deixaste com cevada, e com ela a esperança de que a bebesses a meu lado. Limpei a casa de banho e arrumei o teu puff, aquele com o qual te esfregava as costas e que tão cedo não terá utilidade nenhuma.
Depois veio a parte mais dura: o quarto.
Enquanto separava a roupa que é para lavar estagnei com o teu fato de treino numa mão e o teu pijama noutra e... fraquejei. Senti o teu cheirinho e foi como se o mundo tivesse desabado outra vez. Bateu o vazio da tua ausência e as poucas forças que eu tinha conseguido reunir fugiram-me debaixo dos pés. As lágrimas voltaram a cair insistente e incessantemente e reduzi-me à dor. E olhei à volta, na estúpida esperança de te ver ou ouvir, e o silêncio respondeu-me que tu não estás, nem estarás tão cedo. E voltou a doer, a queimar por dentro.
Muitos dirão que estou a exagerar. Que tomaste a decisão certa, foste lutar por uma vida mehor, que vai passar rápido e que eu tenho de me erguer das cinzas e ser forte. Não digo que não tenham razão as vozes que me dizem isso. Mas o meu coração fala mais alto. Não tenho culpa de não conseguir calar a saudade e o medo de não aguentar o tempo necessário sem ti.
A incerteza quanto ao tempo que terei de enfrentar a vida sem ti ao meu lado ccorrói as poucas forças que possa conseguir reunir. 
Quando o meu coração se apaixonou por ti, a minha razão rendeu-se... Deixei tudo para trás. Entreguei-me de corpo, alma e coração. Ignorei o que quer que me dissessem e entreguei-me a ti e ao amor que me uniu a ti. Nunca hesitei, nunca me arrependi.
O amor que vi nascer em ti pelo meu filho deu-me as certezas que precisava. Eras tu o tal. E não, o tal não é perfeito, não é aquele que não discute e que não contraria. O tal é aquele que mesmo nas discussões consegue dizer ''eu amo-te''. É aquele cujo abraço nos protege do mundo e nos embala no sonho de uma vida feliz até ao último dia. É a pessoa que não nos seca as lágrimas, mas chora conosco. A pessoa que nos diz o que não queremos ouvir, mas que precisamos! O meu tal és tu.
E eu dei-me toda a ti.
Agora que a tua ausência está na ordem do dia, é como se tudo tivesse deixado de fazer sentido. O Lourenço chora e diz que o pai fugiu no avião e eu quero que o chão me engula. Eu deito a cabeça no teu travesseiro, fecho os olhos e lembro-me de todas as noites que dormi no teu peito e o sono desaparece, a angústia instala-se... E volta a doer.
Queria ser forte. Queria levantar a cabeça e dizer o que todos dizem, que é por pouco tempo e que vai passar depressa. Mas por muito que a minha cabeça o sussurre o meu coração grita a plenos pulmões que tu não estás...
Tenho medo que me esqueças. Tenho medo que o teu amor por mim enfraqueça. Tenho medo que te habitues à minha ausência... Tenho medo de um dia acordar e não ter mais forças... 
Por mim, passava os dias inteiros na cama a dormir. Sozinha, longe de tudo e todos, agarrada às recordações do tempo que passamos juntos, agarrada ao teu cheirinho que ficou na tua roupa e nas tuas almofadas. Mas infelizmente não posso. E levanto-me com forças que não sei onde vou buscar e sou obrigada a confrontar a dura realidade da tua ausência. E com os medos como companheiros de viagem cá me arrasto pelos minutos, alimentada pela ténue esperança de que um dia vou acordar e me vais ligar e dizer que a agonia acabou e que posso finalmente voltar aos teus braços. Amo-te muito! <3

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Partiste... e agora?


Sinto-me uma estranha dentro destas paredes a que insistes chamar de nossas. Não estás no sofá a jogar solitário. Não estás no quarto a ver tv. Não abres a porta e chamas por mim. E vai ser assim, por muito tempo. Sinto um vazio tão avassalador que até mesmo escrever se torna um sacrifício. A minha voz soa-me estranha, porque não está acompanhada da tua. Os meus passos parecem nem tocar no chão, porque não acompanham os teus. Não consigo parar as lágrimas e tu não estás aqui para as secar. 
Para muitos isto pode parecer exagerado. Não morreste, estás apenas a milhares de kms daqui, num país demasiado distante para eu te poder abraçar. Mas eu sinto-me vazia.
Discutimos muito. Apesar de termos a certeza do que sentimos um pelo outro, tivemos discussões e cada uma mais descabida do que a outra. Mas tu foste o único em toda a minha vida que não olhou para a minha gordura, para os meus ciumes ou a minha insegurança. O único com quem fazer planos não pareceu descabido demais. E agora estás longe. E eu sinto-me perdida. Entreguei-te a minha vida de tal forma que agora que não te tenho me sinto completamente atordoada.
Sei que foste para uma vida melhor, para ti e para os meninos. Mas a minha vida tremeu quando entraste para a porta de embarque. E não sei quando vai voltar ao normal. Esta incerteza mata-me!!!! Não sei como vou aguentar!

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Quem?

Está a chegar o dia a uma velocidade alucinante. Queria congelar o tempo. Parar hoje e não o deixar avançar mais.
Quem me  vai abraçar quando o calor dos cobertores não for suficiente? Quem vai reclamar quando as coisas estiverem desarrumadas? Quem me vai secar as lágrimas e dizer que vai tudo acabar bem? Quem me vai dizer que estou linda mesmo quando não o sinto?
Não sei como me vou aguentar... Não sei onde vou buscar forças quando o meu filho me perguntar por ti. Nem como vou viver nesta casa vazia onde cada bocadinho me faz lembrar de ti. Como me vou deitar na nossa cama e não te ter colado a mim. Como vou fazer o pequeno-almoço sem ti para o partilhar!
É um mal necessário, bem sei, mas isso não atenua a dor. Sinto-me culpada, vazia e angustiada.
Que a Luz esteja contigo, meu amor. E o meu amor também. Leva-me contigo no teu coração. Porque do meu, estejas onde estiveres, nunca sais.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Até um dia, amor...


Ver-te partir queima-me por dentro. É doloroso. Imaginar que vou acordar meses a fio sem ti ao meu lado deixa-me agoniada. Pensar que vou estar sem ti por tempo indeterminado leva-me ao abismo do vazio. Sei que não vais por ti. Vais pela nossa princesa, pelo bebé e por mim também. De certa forma estou-te grata, por outro lado sinto-me culpada.
Temos passado momentos muito complicados. Temos discutido mais do que seria de desejar. Mas eu amo-te com cada bocadinho de mim. Não sou perfeita. Aliás, estou bem longe disso. Mas quero dizer-te que alegra muito a minha existência o facto de tu fazeres parte dela. Que o facto de termos vencido todas estas dificuldades a meu ver mostra que, apesar de tudo, o que nos une fala mais alto. Orgulho-me de ti. Temos ambos os nossos defeitos mas, de melhor ou pior maneira, temos sabido lidar com eles e permanecer juntos. Não é isto o amor?
Vou sentir muito a tua falta. Acho mesmo que nunca me assustou tanto uma ausência como a tua. Mas para mim estarás sempre aqui. Não falo da boca para fora nem sou mais do que ninguém, mas tenho a certeza do que sinto. Por alguns momentos posso ter fraquejado, posso ter ficado farta das discussões e de não estarmos bem, mas nunca fiquei farta de ti. Nunca tive coragem de bater a porta, mesmo quando achei ter razões para tal. Porque te amo muito.
Leva o meu amor contigo. Leva-me no teu coração e na tua lembrança. Não esqueças tudo o que temos passado juntos. 
Não sei como vou fazer para suportar a tua ausência mas vou ser forte. Vou segurar as pontas e agarrar-me com todas as forças à imagem ainda imaginária do nosso abraço finalmente aí, juntos outra vez. 
Sei que vai valer a pena. Acredito que sim. Mas por mais que queira, neste momento, isso não alivia a minha dor. Vais lutar sozinho, e tudo o que sempre quis foi lutar a teu lado. Sei que é temporária esta separação. Só espero que passe depressa.
Amo-te muito. É só disso que quero que te lembras. Que estejas onde estiveres deixaste aqui duas pessoas que te amam de verdade e cujas vidas só ficam completas contigo. Não nos esqueças... Porque nós vamos pensar em ti todos os dias.... Até estarmos juntos outra vez!